UOL, 22h32 do dia 27/04/07
Verissimo

Elas merecem

A Segolene ainda pode ganhar, mas mesmo que não seja desta vez que cheguem à presidência da França, as mulheres já podem comemorar uma história de progresso social e político estonteante, como o mundo ainda não tinha visto igual. Se elas fossem uma nação, seu feito equivaleria a passar de um Gabão a uma Espanha num século, e só não seriam um Canadá porque ainda têm muito que conquistar. Se fossem uma espécie, em vez de metade de uma  espécie, sua evolução equivaleria a passar da idade da pedra à idade do pentium em cem anos, um pulo sem precedentes na História. Nem os emirados árabes progrediram tanto em tão curto espaço de tempo.

No começo do século, mulher não votava em nenhum lugar do mundo. Fora o trabalho manual em certas indústrias, em muitos casos semi-escravo, não exerciam nenhuma profissão além das tradicionalmente femininas. Ainda na metade do século passado, no Brasil e em boa parte do mundo, eram raríssimas as médicas. Hoje, em qualquer formatura de medicina, há duas mulheres para cada homem. Na arquitetura , a mesma coisa. No direito, acho que empata. Ainda há bolsões de resistência masculina, como a engenharia, mas não por muito tempo. No jornalismo, homens já são vistos com uma certa estranheza nas redações, e devem estar dispostos e ouvir piadas e expressões de dúvidas sobre a sua inteligência e capacidade. Ainda detêm a maioria dos cargos de chefia, mas cada vez mais isso parece um estratagema para mantê-los onde podem ser vistos, longe do que interessa. Há quem diga que, em breve, a única atividade exclusivamente masculina no mundo será a de “drag queen”.   

Não admira que se esteja fazendo experiências com métodos de inseminação que dispensam o espermatozóide. Do jeito que vão as mulheres, não demorarão a decidir que homens simplesmente não servem para a reprodução, pois seus genes molengas apenas as atrasariam.  Precisarão de genes com o mesmo ânimo dos seus. Seus próprios genes, se não aparecer coisa melhor. Em pouco tempo transar com homem será considerado bestialismo: sexo com animais inferiores.  E só poderemos esperar que, daqui a alguns anos, quando fizerem a retrospectiva deste seu espantoso avanço em menos de um século, elas dediquem algumas linhas a nós, a nação vencida. E que sejam gentis.

SBT
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Mais uma bomba!
Gente, que sacanagem, que semana mais triste! Depois a dolorida separação de Sandy & Junior, o Los Hermanos avisa que vai dar um tempo... Ainda há esperança no futuro da humanidade!
Van Gogh
"O Enigma de Kaspar Houser" - Final feliz

Após 3 meses, Claudemir, o X, deixa a prisão

Jovem não consegue falar e não era identificado pela polícia; Claudemir Xavier de Souza foi reconhecido por dois irmãos

por LAURA CAPRIGLIONE, DA REPORTAGEM LOCAL

A juíza Fernanda Galizia Noriega assinou ontem, durante audiência em que se ouviram cinco vezes sonoras risadas de alegria, a liberdade provisória para Claudemir Xavier de Souza, 23, o "X". O rapaz foi preso em janeiro, acusado de tentativa de furto contra uma casa pertencente ao investigador de polícia Salvatore Ricci, no bairro da Lapa (zona oeste de SP).

Como não consegue falar, não conhece linguagem escrita ou falada, não domina a linguagem de sinais dos surdo-mudos e não tinha registro criminal nem inscrição no Instituto de Identificação Ricardo Gumbleton Daunt, órgão que expede carteiras de identidade em São Paulo, Claudemir tornou-se um problema para a polícia.

Preso no 91º Distrito Policial (próximo ao Ceagesp), nenhum Centro de Detenção Provisória aceitava a transferência do rapaz sem identidade conhecida. A saída foi mantê-lo em uma das quatro celas escuras da delegacia, que ele chegou a dividir com 36 outros presos.

A história de "Mudinho" ou "X", como o rapaz foi chamado, foi contada na Folha da última terça-feira. A partir de quarta-feira, o mistério do homem sem nome ganhou a TV. Na última sexta-feira, os trabalhadores rurais José Leandro e Sandra Regina Xavier de Souza, moradores de Canitar, 366 km a oeste de São Paulo, apresentaram-se como sendo irmãos de "X", a quem identificaram como sendo Claudemir Xavier de Souza, mudo, desaparecido havia sete anos de casa.

Uma emissora de TV gravou entrevista com os irmãos em Canitar, que foi vista por "X" da cadeia. O rapaz pulou na cela ao ver os dois. Ria, emitia sons agudos, apontava para a TV, depois para si e, por fim, fazia mais "dois" com os dedos da mão. Todos os presos e policiais entenderam: "X" mostrava a composição de sua família -cinco irmãos. A mãe deles morreu e o pai perdeu contato há quatro anos.

Ontem, na audiência, "X" já foi qualificado pelo nome de batismo. Quem atuou como intérprete na conversa foi Leandro, nomeado curador do irmão e com endereço fixo (um nome, um curador e o endereço fixo foram as condições determinantes para a concessão da liberdade provisória).

Do lado de fora da sala, Sandra aguardava o resultado da audiência com o filho de três meses no colo. Coincidência: Leandro, Sandra e o bebê Luiz Miguel têm covinhas no queixo -como Claudemir.

À juíza, Leandro contou que a família perdeu contato com Claudemir há sete anos. Na época, uma parte dos irmãos havia se mudado para Jarinu, 71 km ao norte de SP, e Claudemir foi junto. Saudoso dos que ficaram em Canitar, o jovem mudo fugiu. Nunca mais foi visto. Até a sexta-feira.

Usando mímica, os irmãos conversaram durante toda a audiência, sorrindo. Claudemir vestia camiseta vermelha e calça verde. A juíza advertiu Leandro: "Se seu irmão for preso de novo, não será essa alegria. Agora que tem identidade conhecida, ele irá para um Centro de Detenção Provisória. Entendeu?" Leandro fez que sim.

A advogada Vitória Nogueira, 60, da Acrimesp (Associação dos Advogados Criminalistas de São Paulo), que assumiu a defesa de Claudemir há uma semana, insistiu ontem com a juíza do caso para que ouvisse o depoimento de Isabel Pires Santos, 44, vizinha do imóvel que teria sido invadido.
Isabel disse que Claudemir estava sentado na calçada quando foi preso. "Sou amiga do meu vizinho há anos, mas não posso permitir que um inocente pague pelo que não fez", disse ela, lágrimas nos olhos. No dia 20, Claudemir terá de se reapresentar à Justiça.

Do Blue Bus

Site vende alibis para quem nao pode dizer aonde vai no fim de semana 09:35

Babalucio é um site para fornecer alibis para quem precisa de justificativas para escapar da familia, da mulher ou do marido durante um fim de semana ou um periodo maior. A desculpa perfeita pode ser assistir a uma conferência em outro país, correr uma maratona ou participar de uma convençao do trabalho. O serviço do site é fornecer material que comprove que a pessoa estava onde disse que estava - e nao onde realmente esteve. Para comprovar o alibi pode dar ao cliente recibos de hotel, um cinzeiro que parecerá ter sido roubado do quarto ou mesmo um certificado de participaçao num curso. Tudo é combinado por email. O site fica na Romenia e é mantido por um italiano que também é dono de restaurante :- ) - entre por aqui. Dica do Adrants. 24/04 Blue Bus

Jogo

Alguém se habilita a ir ver o glorioso Santos no domingo que vem?

GESTO QUE IMPRESSIONA
Por PCVasconcellos

O penúltimo grande lance do jogo entre Santos e Bragantino foi protagonizado pelo Fábio Costa. Uma defesa daquelas em que o responsável justifica o empenho e esforço para contratá-lo e uma reação emocionada e vibrante para os companheiros de equipes, os torcedores na arquibancada e inibidora para os adversários. Ao gritar e balançar o corpo como se tivesse levado um choque, o Fábio Costa explicou a classificação do Santos às finais do Campeonato Paulista e ainda avisou ao distinto público que ali existe um atleta capaz de reagir imediatamente com a vibração necessária para uma grande jogada.

Nos acostumamos com as comemorações no futebol apenas quando sai um gol. É diferente do vôlei em que cada ponto _ seja de ataque, bloqueio ou saque _ é comemorado individualmente e coletivamente. O goleiro, solitário por natureza, pouco comemora. Quando o seu time faz um gol, a câmera não o filma e tampouco alguém da equipe vai lá abraçá-lo. Prestam atenção nele apenas quando comete uma falha ou realiza grandes defesas, caso do Fábio Costa na piscina em que se transformou o Morumbi, especialmente no primeiro tempo.

Ao reagir daquela forma, espontânea e emocionante, a uma defesa, o Fábio Costa mostrou que não é apenas no peito dos desafinados que bate um coração. No dos goleiros também. Tenho certeza de que o time ficou impressionado com aquele gesto. Imagino que, apesar do pouco tempo que restava, todos pensaram que estava mais do que na hora de botar sebo nas canelas e correr o triplo do corrido até aquele momento.

Há tempos que a fase do Fábio Costa é das melhores. Sofredores do fígado sempre recordam episódios controversos na sua carreira, como se isso sempre fosse o mais relevante na história. Desde os Miseráveis que a mania de perseguição a alguém, notadamente entre os personagens do elenco verde e amarelo, se transformou em hábito. Tal e qual tomar uma cervejinha na noite de sexta-feira, comer sardinha no beco da Miguel Couto, no Rio de Janeiro, ou jogar conversa fora nos bares da Vila Madalena, em São Paulo.

Quem conversa com o Fábio Costa fica impressionado com a sua serenidade e clareza para defender os seus argumentos. Pensa que está diante de um monstro e constata que é uma pessoa afável, mas sem jamais deixar de dizer o que pensa.

Pode ser que o histórico dificulte o seu caminho de volta à Seleção Brasileira. Noves fora o Rogério, bom de mãos e pés, e o Júlio César, bom de mãos e pés, o Fábio Costa não tem concorrente na posição. Quem o viu ontem, apenas ontem, não tem idéia do que ele tem feito nesta temporada. Muitas vezes foi o muro que impediu uma derrota santista. Merece uma chance na Seleção e ser olhado sem os exageros cometidos no passado. Quem vibra como ele vibrou naquele Morumbi tem algo a mais.

Goya
Filmes

Transamérica (2005)

 

Lindo, delicado e perfeitamente lento – apesar do excesso de ações, fica essa sensação, que tem tudo a ver com as confusões de sentimentos dos personagens.

 

Pergunte ao Pó (2006)

 

A história é tão óbvia que fica sendo um filme regular, apesar da boa direção, fotografia e atuações. As falas são ótimas, muito poéticas. Repare na flor do cabelo da Salma Hayek, que não para no mesmo lado por duas cenas seguidas (exagero meu).

 

Faz de Conta que eu Não Estou Aqui (2000)

 

Adolescente confuso não tem nada a dizer e enche o saco de todo mundo. Prefira um Truffaut.

 

Zuzu Angel (2006)

 

Fraco. Vale como (mais um) relato da ditadura.

 

Volver (2006)

 

Sou suspeitíssimo pra falar de Almodóvar. Adorei este, como todos os outros. Ele voltou com tudo o foco para as mulheres, depois do hiato masculino em “A Má Educação” – o que é bom, é a especialidade dele. Assim que terminei de ver entendi pq ele ficou tão puto com o Oscar e com Cannes: ele fez esse filme para ganhar prêmios. Só que não adianta (literalmente) dar cores mais suaves à direção se o roteiro se desenrola em torno de tabus sexuais. Se ele continuar assim, vai perder a mão, até desistir do Oscar e voltar com tudo, com as  deliciosas e  absurdas histórias como “Carne Trêmula”, “Matador” e “Ata-me!”, entre outras.

 

Um recado que nunca vai chegar a ele: querido, vocâ já ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro, desencana do de diretor. Depois vão te dar um pelo conjunto da carreira. Continue fazendo seus filmes, que são melhores que a maioria dos que concorrem e ganham.

 

Os Fugitivos (2006)

 

A premissa, baseada numa história verídica, é boa: dois golpistas que se conhecem sem querer e acabam ficando juntos. Mas os personagens principais, do Jared Leto e da Salma Hayek acabaram ficando rasos, caricaturais.

Coments
Eu poderia tecer um longo comentário sobre a chatice e a solidão humanas, mas vou resumir: cada mala que me aparece...



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