Sites

Eu adoro notícias curiosas e comentários sarcásticos. Claro, eles são eu - se é que isso faz sentido. Então vou indicar o site clássico, que eu acesso há anos e um que eu descobri hoje, mas que já ganhou meu coração:

Uol Tablóide (o clássico)

no mínimo Nonsense

Um textinho deste último:

Mais estranho que a ficção

Especializada no mercado de publicações, a revista britânica “The Bookseller”, divulgou os finalistas do seu prêmio de Título Mais Estranho do ano, que ocorre desde 1978. A relação foi feita com sugestões e indicações enviadas por editores, vendedores de livros e bibliotecários.
Agora, uma enquete no site da revista vai decidir qual título será o vencedor – que receberá uma garrafa de champanhe para celebrar o feito.

No ano passado o concurso foi vencido por Gary Leon Hill com o intrincado e assustador “As Pessoas que Não Sabem que Estão Mortas: Como Elas se Ligam a Transeuntes Insuspeitos e O Que Fazer Sobre Isso”.

Antes dele, vale a pena lembrar alguns dos agraciados nessas quase três décadas de prêmio. Foram pérolas como “O Prazer das Galinhas” (1980); “Última Chance para Romances de Amor Terminal” (1981); “População e Outros Problemas” (1982); “O Livro da Marmelada: Seus Antecedentes, Sua História e Seu Papel no Mundo Hoje” (1984); “Faça Crescer Naturalmente os Seios com Total Power: Como Incrementar os Outros 90% da sua Mente para Aumentar o Tamanho dos Seus Seios” (1985); “Sadismo Oral e a Personalidade Vegetariana” (1986); “Pontos Altos na História do Concreto” (1994).

É possível constatar que os anos 80 foram um período de ouro para títulos bizarros. Eis aqui os seis concorrentes deste ano:

“O Sorvete Delicioso de D. Di Mascio. D. Di Mascio de Coventry: Uma Companhia de Sorvete de Reputação, com uma Interessante e Variada Frota de Caminhonetes de Sorvetes”

“Montanhesas Tatuadas e Caixas de Colheres do Daguestão”

“Melhor Nunca ter Sido: O Mal de Vir a Existir”

“Os Carrinhos de Supermercado Perdidos do Leste da América do Norte”

“Quão Verdes Eram os Nazistas?”

“Procedimentos do 18º Simpósio Internacional sobre Algas Marinhas”

Artigo

Essa é uma das mais esclarecidas pensatas sobre os gays que já li, escrita por Drauzio Varella:

Causas da homossexualidade

Existe gente que acha que os homossexuais já nascem assim. Outros, ao contrário, dizem que a conjunção do ambiente social com a figura dominadora do genitor do sexo oposto é que são decisivos na expressão da homossexualidade masculina ou feminina.

Como separar o patrimônio genético herdado involuntariamente de nossos antepassados da influência do meio foi uma discussão que monopolizou o estudo do comportamento humano durante pelo menos dois terços do século XX.

Os defensores da origem genética da homossexualidade usam como argumento os trabalhos que encontraram concentração mais alta de homossexuais em determinadas famílias e os que mostraram maior prevalência de homossexualidade em irmãos gêmeos univitelinos criados por famílias diferentes sem nenhum contato pessoal.

Mais tarde, com os avanços dos métodos de neuro-imagem, alguns autores procuraram diferenças na morfologia do cérebro que explicassem o comportamento homossexual.

Os que defendem a influência do meio têm ojeriza aos argumentos genéticos. Para eles, o comportamento humano é de tal complexidade que fica ridículo limitá-lo à bioquímica da expressão de meia dúzia de genes. Como negar que a figura excessivamente protetora da mãe, aliada à do pai pusilânime, seja comum a muitos homens homossexuais? Ou que uma ligação forte com o pai tenha influência na definição da sexualidade da filha?
Sinceramente, acho essa discussão antiquada. Tão inútil insistirmos nela como discutir se a música que escutamos ao longe vem do piano ou do pianista.

A propriedade mais importante do sistema nervoso central é sua plasticidade. De nossos pais herdamos o formato da rede de neurônios que trouxemos ao mundo. No decorrer da vida, entretanto, os sucessivos impactos do ambiente provocaram tamanha alteração plástica na arquitetura dessa rede primitiva que ela se tornou absolutamente irreconhecível e original.

Cada indivíduo é um experimento único da natureza porque resulta da interação entre uma arquitetura de circuitos neuronais geneticamente herdada e a experiência de vida. Ainda que existam irmãos geneticamente iguais, jamais poderemos evitar as diferenças dos estímulos que moldarão a estrutura microscópica de seus sistemas nervosos. Da mesma forma, mesmo que o oposto fosse possível - garantirmos estímulos ambientais idênticos para dois recém-nascidos diferentes - nunca obteríamos duas pessoas iguais por causa das diferenças na constituição de sua circuitaria de neurônios. Por isso, é impossível existirem dois habitantes na Terra com a mesma forma de agir e de pensar.

Se taparmos o olho esquerdo de um recém-nascido por 30 dias, a visão daquele olho jamais se desenvolverá em sua plenitude. Estimulado pela luz, o olho direito enxergará normalmente, mas o esquerdo não. Ao nascer, os neurônios das duas retinas eram idênticos, porém os que permaneceram no escuro perderam a oportunidade de ser ativados no momento crucial. Tem sentido, nesse caso, perguntar o que é mais importante para a visão: os neurônios ou a incidência da luz na retina?

Em matéria de comportamento, o resultado do impacto da experiência pessoal sobre os eventos genéticos, embora seja mais complexo e imprevisível, é regido por interações semelhantes. No caso da sexualidade, para voltar ao tema, uma mulher com desejo sexual por outras pode muito bem se casar e até ser fiel a um homem, mas jamais deixará de se interessar por mulheres. Quantos homens casados vivem experiências homossexuais fora do casamento? Teoricamente, cada um de nós tem discernimento para escolher o comportamento pessoal mais adequado socialmente, mas não há quem consiga esconder de si próprio suas preferências sexuais.

Até onde a memória alcança, sempre existiram maiorias de mulheres e homens heterossexuais e uma minoria de homossexuais. O espectro da sexualidade humana é amplo e de alta complexidade, no entanto; vai dos heterossexuais empedernidos aos que não têm o mínimo interesse pelo sexo oposto. Entre os dois extremos, em gradações variadas entre a hetero e a homossexualidade, oscilam os menos ortodoxos.

Como o presente não nos faz crer que essa ordem natural vá se modificar, por que é tão difícil aceitarmos a riqueza da biodiversidade sexual de nossa espécie? Por que insistirmos no preconceito contra um fato biológico inerente à condição humana?

Em contraposição ao comportamento adotado em sociedade, a sexualidade humana não é questão de opção individual, como muitos gostariam que fosse, ela simplesmente se impõe a cada um de nós. Simplesmente, é!

Deu no BlueBus

Concorrem a conta do IBGE, e como sao criativas essas agencias, nao?
por Luiz Alberto Marinho

Deu semana passada, na coluna 'Negócios & Cia', que a Flávia Oliveira assina no Globo. Das 10 agências que participaram da concorrência pela conta do IBGE, 5 apresentaram o mesmo slogan - 'O Brasil conta com você'. Sacaram a jogadinha? O IBGE, que conta a populaçao brasileira por meio dos seus censos, também conta com o apoio de cada um de nós. Nao realmente é um primor de criatividade? Aposto que nunca antes na história desse país alguém tinha pensado nesse duplo sentido. Fantástico!

Agora falando sério, nao me surpreende nem um pouco que metade das agências tenha apresentado o mesmo tema. Porque grande parte dos publicitários hoje navega mesmo é no plácido oceano dos clichês, do jogo de palavras, dos trocadilhos e das soluçoes óbvias, mais preocupados com a forma do que com o conteúdo que deve chegar aos consumidores. A verdade é que a boa propaganda nao se limita a discursar para o vazio, nem se contenta com gracinhas ou frases de efeito. Ela emite uma mensagem que repercute nas pessoas, influencia comportamentos e constrói a reputaçao das marcas anunciadas. 21/03 Luiz Alberto Marinho

Querem exemplos? As pessoas que criaram a 'Campanha pela Real Beleza', da Dove, perceberam a oportunidade de abraçar a causa de milhoes de mulheres insatisfeitas com elas mesmas, em funçao do padrao de beleza imposto pela própria mídia. Mastercard distanciou-se um pouco do papel de facilitador de transaçoes e ampliou a sua presença na vida dos clientes, quando lembrou a todos nós que algumas coisas na vida nao têm preço. Quando o garoto-propaganda das Casas Bahia perguntou quanto os clientes queriam pagar, nao estava simplesmente oferecendo alternativas de financiamento, mas sim resgatando a auto-estima de milhares de pessoas, dispostas a parcelar o sonho em dezenas de parcelas nanicas. 21/03 Luiz Alberto Marinho

Essas marcas, suas agências e os profissionais envolvidos nao precisaram de jogadinhas publicitárias para criar campanhas memoráveis - e muito eficientes.

Imbecilidade

Tem coisas que só os americanos fazem pra você

Menina vence concurso de tênis mais fedorento

Uma menina de 13 anos venceu um concurso para descobrir o tênis mais fedorento dos EUA. Os calçados de Katharine Tuck, do Estado de Utah cheiravam tão mal, que até os juízes reclamaram. Katharine ganhou um prêmio de US$ 2,5 mil (cerca de R$ 5,2 mil) pela vitória.

"Estou tão orgulhosa da pequena fedorenta", festejou Paula Tuck, mãe da vencedora, de aordo com o site Yahoo. Katharine havia usado seus tênis por um ano e meio e, segundo ela, usou-os em jogos de futebol e basquete, caminhadas e uma vez entrou com eles no lago "Great Salt", onde eles receberam um cheiro extra de camarões.

Ao inscrever seus tênis, cada participante tem que fazer uma performance para "ativar" o odor. O ritual inclui alguns saltos e uma volta antes de pendurar o objeto mal-cheiroso em frente aos juízes. De todos os participantes, apenas um usava meias. O concurso é realizado desde 1975, e foi organizado por uma empresa de produtos para limpeza de calçados.

Joguinho
http://www.ojogos.com.br/games/7/8/041487.html
Parte 1/5

Uma lição de jornalismo e coragem do Der Spiegel, jornal Alemão. E mais uma sobre a CIA... Vale ler, pensar e passar pra frente.

Homem seqüestrado pela CIA e torturado no Egito quer que o mundo conheça a sua história

O imame radical Abu Omar foi seqüestrado pela CIA em Milão quatro anos atrás e mandado para uma prisão no Egito. Foi torturado com choques elétricos e ficou pendurado por vários dias no teto da cadeia. Agora Omar descreve os seus infortúnios

Por Mathias Gebauer, em Alexandria, no Egito

Osama Hussein Nasr desce as escadas para mostrar o caminho até a sua casa em Alexandria, que é difícil de localizar em meio ao caos composto de becos estreitos sulcados por valas de esgoto. De repente, lá está ele, em frente a um pequeno café - um homem pequeno, de barba longa e mal cuidada, trazendo na cabeça um chapéu redondo. Após um rápido aperto de mão, o homem que é mais conhecido como Abu Omar pede que o sigamos até as escadas. Ele diz que é melhor falar lá: "Aqui nas ruas os agentes de segurança estão por toda parte".

Abu Omar não tem permissão para receber visitas de jornalistas ocidentais. Ele diz que "os seus amigos" - as autoridades egípcias - o "aconselharam fortemente" a obedecer à proibição. Abu Omar está nervoso. Este homem de 46 anos foi libertado da prisão em 11 de fevereiro deste ano e desde então está livre, pelo menos oficialmente. As autoridades retiraram todas as acusações contra ele. No entanto, ele está violando as ordens oficiais ao se encontrar conosco. "Eu só tenho duas opções", diz ele. "Ou fico calado, faço o que me mandaram e levo uma vida tranqüila, ou conto a minha história para o mundo, correndo o risco de enfrentar vários problemas".

Ele não pára de olhar por cima dos ombros durante o percurso de poucos metros até o seu apartamento decrépito em um beco transversal. Abu Omar precisa de fato vigiar a retaguarda. Os homens que espreitam por trás dos hookahs, ou narguilés, os camelôs e os indivíduos que perambulam pelas imediações podem ser policiais. "Estou sob vigilância 24 horas por dia", garante Omar. "Para eles, sou um fator de risco ambulante". Mas ele mantém a sua decisão, que foi precedida por demoradas negociações com o seu advogado no Cairo. Abu Omar deseja falar - "não importa quais sejam as conseqüências para mim". Conforme disse o seu advogado: "O mundo inteiro precisa ouvir a verdade".

A história de Abu Omar está no centro de uma das mais questionáveis operações da Agência Central de Inteligência (CIA) realizadas após os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001. Em 17 de fevereiro de 2003, agentes da agência de inteligência externa dos Estados Unidos seqüestraram o imame radical em uma rua bem no centro da cidade italiana de Milão. É verdade que o imame não era nenhum pacifista dócil. Durante anos ele pregou mensagens de ódio contra os Estados Unidos aos muçulmanos fundamentalistas em Milão. Ele próprio lutou no Afeganistão, e teria encorajado jovens recrutas a participar da jihad naquela mesma época. Para os italianos, Abu Omar era um dos peixes grandes, e a sua prisão era iminente. Mas para a CIA ele era um verdadeiro alvo, e os caçadores de terroristas dos Estados Unidos não quiseram aguardar até que a lei completasse o seu percurso. Eles queriam que homens como Omar fossem tirados de circulação da forma mais rápida e discreta possível.

Os seqüestradores de Omar o levaram para o Cairo, o seu país natal, usando um dos aviões Learjet da CIA - aeronaves que desde então se tornaram famosas pelo papel que desempenham no transporte clandestino de suspeitos de terrorismo através da Europa até terceiros países que freqüentemente permitem a aplicação da tortura para a obtenção de confissões e informações. O plano dos inescrupulosos interrogadores da agência egípcia de inteligência era extrair a maior quantidade possível de informação de Omar.

Parte 2/5

O rastro de um seqüestro perpetrado pelo governo norte-americano

O Egito aquiesceu ao pedido do seu aliado. Se o que Abu Omar diz é verdade, aquilo que para ele começou do outro lado do Mediterrâneo foi uma experiência de martírio que faz lembrar os dias mais negros das ditaduras latino-americanas: os torturadores de Abu Omar, que ele descreve como "vassalos dos Estados Unidos", conectaram eletrodos aos seus órgãos genitais para fazê-lo falar. Os algozes quase o levaram à insanidade ao colocar constantemente música em altíssimo volume. Abu Omar diz que até hoje não consegue controlar a bexiga. Como prova das torturas, ele mostra pequenas manchas negras na pele, queimaduras provocadas pelos choques elétricos.

Os investigadores não extraíram nenhuma informação útil de Abu Omar. Em vez disso, a operação se transformou em um desastre para a CIA. Não existe um único caso de seqüestro perpetrado pela agência estadunidense - operações conhecidas como "renditions", ou capturas feitas no exterior - mais bem documentado do que aquele de Abu Omar. Após descobrirem os passaportes dos agentes envolvidos, assim como as suas contas enormes em restaurantes, e depois de ter rastreado as suas ligações telefônicas, o promotor de Milão acabou denunciando os seqüestradores. O principal julgamento está marcado para junho próximo. E mesmo que os 26 agentes da CIA acusados no caso não se sentem no banco dos réus, acredita-se que o julgamento será um episódio extremamente desconfortável para muita gente. Entre os incomodados está o governo italiano, que procura frear o julgamento usando o tribunal de mais alta instância do país.

Como se fosse um homem idoso, Abu Omar ofega bastante após subir os quatro lances de escada até o seu apartamento de três quartos. Tão logo entra em casa, ele tranca a porta e cerra as cortinas. Suspirando, ele deixa o corpo cair em um dos sofás amarelos simples da pequena sala de estar iluminada pela luz fria de uma lâmpada fluorescente no teto. "Sinto-me como um velho", diz o homem de 46 anos. "Qualquer movimento faz com que a minha coluna doa, e as minhas articulações ainda estão doloridas devido ao fato de eu ter sido constantemente imobilizado na prisão". O fato de ter sido libertado da prisão pode ter sido "um presente de Deus", mas ele diz que a sua vida ficou em frangalhos e que é improvável que algum dia a recupere integralmente.

De fato, pouco restou daquele homem que os relatórios de inteligência italianos descrevem como sendo um agitador muçulmano fundamentalista e um feroz defensor da jihad. Abu Omar senta-se no apartamento estreito, que mais parece um corredor, com a sua mulher Nabila, que traz a face coberta por um véu, e o filho Mohammed. O seu irmão paga o aluguel. O Egito proibiu Abu Omar de pregar no país, mas essa é a única profissão que ele conhece. "A minha única distração é a caminhada até uma pequena mesquita. Tirando isso, eu apenas fico sentado aqui o dia inteiro", diz ele.

Parte 3/5

"Eu soube imediatamente que havia algo de errado"

Imagens da Itália aparecem no pequeno aparelho de televisão - uma outra notícia sobre o julgamento contra os caçadores de terroristas da CIA. Abu Omar começa a contar a sua história. Ele lembra-se bem do final da manhã do dia 17 de fevereiro de 2003. Aquele parecia ser um dia como outro qualquer. Ele estava a caminho da sua mesquita, que ficava a apenas alguns minutos do seu apartamento. De repente um homem em um Fiat vermelho falou com ele. O homem disse que era policial e pediu para ver os seus documentos. "Eu soube imediatamente que havia algo de errado, mas tudo aconteceu muito, muito rápido", conta Abu Omar. A operação havia começado.

Pouco depois de lhe terem pedido que mostrasse os documentos, Abu Omar sentiu as mãos de dois homens fortes no seu corpo. "Eles me agarraram por trás e me arrastaram até uma van branca de entregas, e a seguir me espancaram", recorda-se ele. "Achei que iriam me matar". Ele conta que só conseguiu observar rapidamente a fisionomia dos "hulks", que é como ele chama os brutamontes. Abu Omar diz que eles rapidamente enfiaram um capuz na sua cabeça e amarraram as suas mãos com algemas de plástico. Abu Omar ficou deitado e arfante no assoalho do compartimento de carga da van enquanto esta acelerava, cantando pneus, em direção à base militar aérea dos Estados Unidos em Aviano, a cerca de duas horas de carro de Milão.

Quando Abu Omar fala sobre isso, a sua voz fica embargada. "Fiquei completamente à mercê deles", sussurra Abu Omar. Ele só viu os seus seqüestradores uma única vez, no aeroporto em Aviano. "Eles me colocaram de pé, cortaram e arrancaram as minhas roupas, e puseram uma fralda em mim", conta ele. "Vi oito homens usando uniformes militares beges e máscaras". Em pouco mais de um segundo houve o disparo do flash de uma câmera fotográfica, e a seguir a sua cabeça foi envolvida em fita adesiva de vedação. Ele não seria capaz de identificar nenhum daqueles homens. "Eles sabiam muito bem o que estavam fazendo", insiste Abu Omar.

Ele não tinha a menor idéia do lugar para onde os homens o levavam. Ele foi jogado rudemente no assoalho de um avião que logo levantou vôo. A sua audição estava prejudicada pelos fones que colocaram sobre os seus ouvidos, mas ele ainda assim foi capaz de sentir com o estômago que estava em um avião. Ele alega que os seqüestradores o trataram como um animal. "A única preocupação deles era não deixar que eu morresse", afirma. Mais cedo, ainda na mini-van branca, os homens subitamente entraram em pânico, temendo que Abu Omar pudesse morrer. "Eles gritaram histericamente, e um deles chegou até a examinar as minhas pupilas", conta ele nervosamente. Depois, no avião, ele foi chutado quando cuspiu a água que introduziram à força na sua boca.

Parte 4/5

"Eu teria dito tudo a eles"

Quando as portas do avião foram abertas, cerca de oito horas depois, Abu Omar sentiu o calor úmido e ouviu um muezim anunciar a oração matinal em algum lugar na distância. As algemas que lhes atavam os tornozelos foram afrouxadas e ele foi conduzido pelo corredor da aeronave, ainda vendado. "Alguém, falando em árabe, me disse para descer", recorda-se o imame. "Foi naquele momento que fiquei sabendo que tinha retornado ao Egito". Ainda vendado, ele foi levado de carro à sede da agência egípcia de inteligência no centro do Cairo.

Mesmo hoje, Abu Omar ainda não entende o que os agentes realmente desejavam dele. Primeiro os agentes lhe perguntaram se Abu Omar estava disposto a trabalhar para eles, espionando os muçulmanos fundamentalistas em Milão. Ele se recusou repetidamente e foi colocado em uma solitária. Ficou pendurado na parede com as mãos atadas durante vários dias. "Eu fui interrogado seguidamente, com os olhos vendados. Eles perguntavam sem parar quem eu conhecia e se eu sabia algo a respeito de planos para operações terroristas", conta Abu Omar. Mas, segundo a sua versão, ele não tinha nenhuma informação a fornecer, e não falou nada aos seus algozes.

Foi então que começaram as sessões de choques elétricos. Abu Omar fica embaraçado ao falar sobre isso. Ele não gosta de lembrar que "suplicou por misericórdia devido à dor" quando eletrodos foram conectados aos seus órgãos genitais e a outras partes do corpo. "Eu teria dito tudo a eles, mas não sabia o que eles queriam ouvir", diz ele. Mesmo assim os interrogadores continuaram torturando-o em intervalos de poucos dias até que ele perdeu a consciência. Certa vez alguém sussurrou ao seu ouvido que o Egito não tinha nada contra Abu Omar, e que ele estava passando por tudo aquilo apenas por causa dos Estados Unidos. A pessoa disse que seria melhor que ele cooperasse, caso contrário a tortura continuaria.

Mas Abu Omar era, na verdade, um problema para o Egito. As autoridades o libertaram um ano após o seqüestro - sob a condição de que ele não falasse nem sobre o seqüestro nem sobre o período passado na prisão. Mas o imame imediatamente telefonou para a Itália, falando com a mulher e os amigos. A polícia italiana, que há muito queria obter mais dados a respeito do desaparecimento de Abu Omar, havia grampeado as linhas telefônicas que ele costumava usar. No fim das contas, a sua libertação acabou sendo contraproducente para os seus captores, já que os telefonemas forneceram às autoridades criminais italianas provas de que Abu Omar fora de fato seqüestrado.

Parte 5/5

"Não há dúvida de que a Alemanha também é responsável"

Não demorou mais do que alguns dias para que a polícia egípcia o levasse de volta à cadeia. E embora fosse de se esperar que desta vez ele ficasse em uma cadeia comum, ele foi novamente jogado na solitária. "A primeira coisa que fizeram foi me punir por eu ter falado", conta Abu Omar. Mais uma vez, ele foi torturado com choques elétricos e com música altíssima, que o impediu de dormir durante dias. Mas uma coisa mudou: ele não foi mais interrogado. Ele disse que de repente lhe ofereceram coisas como US$ 2 milhões e um passaporte estadunidense. É claro que é impossível verificar se tal alegação é verdadeira - um fato que ele próprio reconhece.

O motivo para a libertação de Abu Omar em fevereiro continua sendo um mistério - até mesmo para o seu advogado. O advogado dedica grande parte do seu tempo à formalização de denúncias na justiça, apesar do perigo de que Abu Omar volte a ser encarcerado. Um processo contra a CIA, que seqüestrou o seu cliente, é certo. Mas o advogado também descobriu muitas informações incriminadoras contra a Itália nos arquivos do caso. Ao que parece a agência italiana de inteligência militar, o SISMI (Servizio per le Informazioni e la Sicurezza Militare), estava a par dos planos da CIA, pelo menos no nível operacional, e alguns dos seus funcionários parecem estar envolvidos no seqüestro. Por isso o advogado está exigindo uma indenização de nada mais nada menos que US$ 20 milhões de Roma e Washington.

E Abu Omar descobriu uma outra parte culpada. Ele passou pelo seu drama com os olhos vendados, mas as notícias que consegue de ler todos os dias na Internet o ajudaram compreender melhor vários fatos relacionados ao caso. Enquanto navegava na Internet, ele ficou sabendo da existência da base militar dos Estados Unidos em Ramstein, na Alemanha, onde o avião que o levou ao Cairo fez uma breve escala. "Não há dúvida de que a Alemanha também é responsável pelo que aconteceu comigo. Afinal de contas, o governo alemão permitiu que o jato da CIA aterrissasse em Ramstein e, a seguir, decolasse", diz ele com a voz carregada de convicção. "Todos aqueles que nada fizeram para impedir as atividades da CIA cooperaram com a agência norte-americana".

Preparando-se para a próxima prisão

O advogado de Abu Omar ainda está em meio ao processo de fazer planos concretos sobre que passos serão dados a seguir. Por ora, ele deseja voar até Milão e examinar mais registros do tribunal. Em Alexandria, Abu Omar está bem consciente de que qualquer declaração que dê sobre o seqüestro poderá facilmente fazer com que volte à cadeia. As autoridades egípcias têm pouco interesse em que o caso fique mais esclarecido - e tampouco o país árabe, que depende profundamente dos Estados Unidos, deseja que a CIA seja alvo de qualquer processo legal. "Sob o ponto de vista deles, provavelmente seria melhor que eu simplesmente desaparecesse em algum lugar", afirma Abu Omar.

É claro que o imame sabe que o fato de ter se encontrado com jornalistas ocidentais, fazendo declarações críticas ao governo egípcio, poderá ter conseqüências graves.

"Olhe aqui, perto da porta", diz ele quando os jornalistas estão prestes a partir. "Tenho uma pequena sacola com algumas roupas". A sua mulher, Nabila, preparou a mochila para a sua próxima estadia na prisão. "Avisem-me antes de publicarem a matéria" diz ele enquanto descemos a escada. "Assim eu poderei me preparar para a visita da polícia".

Tradução: UOL

Filme

Jogos Mortais III (2006)

Os caras ensinaram tanto no I e no II que dá pra adivinhar o final do III. Ou, ao menos, parte dele.

Sim, é mais nojento que os dois primeiros. Sim, tem sangue pra caramba. Sim, tem muita violência. Mas perdeu um pouco da graça, não traz mais novidade.

Abre espaço pra um IV filme. Será que rolará? Eu assistirei do mesmo jeito. E se fizerem um Saw 0 eu também verei.

Happy Pill

Faça as carinhas tristes ficarem alegres nesse joguinho.... Hahaha!

Ranking

E olha eu "produzindo" notícia....

O Alexa é um dos (se não "o") mais respeitados sites de medição de audiência na internet. Fazia muito tempo (anos) que eu não o acessava. Qual não foi a minha surpresa ao descobrir que o Uol é o 34º site mais acessado do mundo? E tem mais! Mais acessado que o Aol americano!

Os primeiros do ranking são, é claro: Yahoo!, Msn, e Google - Esta último ainda aparece em várias outras vezes entre os 500 primeiros com .país diferente.

O ranking brasileiro é esse:

1. Orkut
2. Msn
3. Google.br
4. Uol
5. Globo
6. Yahoo! (o gringo)
7. Terra
8. YouTube
9. Google
10. Ig
11. Windows Live
12. Mercado Livre
13. Fotolog
14. Blogger
15. Megaupload
16. Rapidshare
17. Flogão
18. Wikipedia
19. Microsoft
20. Oi




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